Pedalar no dia-a-dia, no percurso casa/escola ou casa/trabalho ou ainda casa/escola/trabalho pode parecer um grande desafio para muitos. Este tipo de deslocações, denominado pelos saxões por commuting – neste caso bike-commuting – é o desafio que a ciclo-via.org faz a todos. Tentar substituir o automóvel nas pequenas deslocações pela bicicleta faz todo o sentido e pela bicicleta em articulação com os transportes públicos em percursos um pouco maiores também, mas…como?
Como sabemos que a mudança, mesmo para o melhor, é sempre difícil propomos algumas dicas e damos a ajuda necessária para quem deseja utilizar a bicla no dia-a-dia no nosso fórum. Até porque o mais importante é não deixar que as dúvidas que tenha sejam o obstáculo para deixar a bicicleta a ganhar teias de aranha em casa.
Que bicicleta? Que equipamento?
Caso não tenha bicicleta convém fazer um exercício para tentar perceber qual o melhor modelo que se adapte à utilização que lhe vai dar. Há bicicletas mais confortáveis para cidade, outras para utilizações mistos entre cidade e viagem e ainda BTTs puras caso se tenha a sorte de fazer um percurso diário fora de estrada. Adaptar a bicicleta lá de casa é perfeitamente plausível. Para isso há que pensar em alguns factores chave:
A iluminação – Para além de obrigatório é um elemento fundamental de segurança. Existem luzes de presença, outras que iluminam mesmo, alimentadas a pilhas, baterias recarregáveis, com dínamo, etc.. Verifiquem ou coloquem a vossa questão no fórum aqui Temos até uma secção para quem tem jeito e gosta de fazer as suas próprias luzes.
O conforto – Lembre-se que vai andar todos os dias nela. As bicicletas de cidade costumam ser feitas a pensar no conforto do utilizador ao contrário das BTT puras, que têm a performance como objectivo final. Costumam ter assentos mais confortáveis (há sempre uma fase de “rodagem” do traseiro) e a uma altura mais baixa em relação ao guiador o que não causa “stress” nos punhos e nas costas. Algumas até têm o quadro que facilita o acesso ao assento (os “easy boarding” por vezes confundido com quadros de senhora). Protecções de corrente e de roda para evitar sujar a roupa é outro dos “must” destas biclas. Em relação aos pneus, se utiliza maioritariamente estrada vai ver que a utilização de uns pneus que não de TT lhe dão mais conforto, quer seja pelo menor atrito quer seja pelo barulho mais reduzido. Depois poderá querer avançar para acessórios que transformam o pedalar diário numa viagem 5 estrelas como seja um rádio no guiador, um pequeno vidro deflector, etc. ou ficar-se pela simplicidade da bicla ;o).
O transporte de bagagem – Um cesto no guiador ou uma “rack” (ou bagageira) de transporte sobre a roda traseira é o suficiente para o transporte de pequenos volumes necessários para o dia-a-dia. Mas com a utilização diária vai acabar por verificar que a bicicleta é mais eficaz do que pensa, e vai querer levar as compras, os miúdos à escola, etc.. Existe uma panóplia de acessórios e bicicletas de carga que podem transformar o modo como vê as deslocações hoje. As BTTs de suspensão integral complicam a utilização de bagageiras, mas existem soluções para estas.
Mau tempo – Ah pois é. Com chuva e frio dá para pedalar na boa! Há que estar bem preparado física e psicologicamente. Os Ingleses costumam dizer que não há mau tempo, só mau equipamento. Para o mau tempo podemos dividir o equipamento para o ciclista e para a bicicleta. Para esta última um par de guarda-lamas
Para o ciclista o equipamento difere bastante: ou decide que a pedalada diária tem de ser vigorosa e até substituir a ida ao ginásio e equipa-se a rigor, material performante, capacete e material para tomar banho no trabalho ou num ginásio lá perto. Neste caso a protecção contra a chuva é mais técnica, mas não difere muito do casaco impermeável fino (o gore tex não funciona com a suadeira da pedalada) umas luvas impermeáveis, meias de neoprene e troca de sapatos no trabalho.
Ou então a pedalada diária é descontraída (abaixo do limiar do suor), e o equipamento para a chuva não difere muito do que se andasse a pé. De qualquer modo recomenda-se a utilização de sapatos impermeáveis (de caminhada), um poncho que é mais eficaz para tapar as pernas e talvez umas calças impermeáveis finas.
Existem alforges e outros tipos de sacos de transporte impermeáveis nas lojas da especialidade.
Que percurso tomar? E a segurança?
Eis outro desafio para o ciclista do quotidiano: repensar os percursos.
O percurso mais directo não é obrigatoriamente o melhor. Depende muito de cada um, mas pode evitar o que não gosta como as subidas mais íngremes (as bicicletas têm mudanças, as subidas até certa inclinação é pacífica e em último caso podemos empurrá-la a pé), o vento, vias de circulação automóvel muito rápida, com barulho e fumo dos carros, e optar por percursos mais calmos, mais relaxantes, que passam por comércio, por jardins, perto do rio, etc. Nada como espreitar mapas na internet e utilizar o nosso conhecimento dos lugares por onde passamos para escolher os melhores percursos. Quanto mais agradável melhor, mais fácil será a adaptação.
O lugar da bicicleta é na estrada, não no passeio e normalmente as ciclovias complicam a circulação de quem anda no quotidiano. A melhor medida de segurança é a condução defensiva. Evitar ir muito encostado à berma para evitar razias, sinalizar bem e com tempo as manobras, não hesitar nem andar na estrada como se estivesse a fazer uma prova são meio caminho para desfrutar de um commuting agradável e sem problemas de segurança. Outro truque extremamente eficaz é juntar-se a mais commuters de bicicleta, pois andar em grupo aumenta a sensação de segurança.
À escolha de percursos mais amigáveis e à condução defensiva falta somarmos a boa manutenção da bicicleta, assim como a existência de reflectores e iluminação eficazes.
E quando chegamos ao nosso destino? Convém prender a bicicleta para a proteger dos amigos do alheio. Há cadeados para todos os gostos e feitios, para além de alarmes dissuadores, mas o local onde se prende a bicicleta é extremamente importante.
Mas é muito longe! E chego suado(a)!!
A bicicleta é o veículo mais eficaz em distâncias pequenas, de 3 a 5 kms de distância (a maioria dos percursos que se fazem no dia-a-dia), mas se a integrarmos com transportes públicos a distância de eficácia aumenta consideravelmente. Pode optar por uma bicicleta dobrável que lhe permite circular até em Táxis se precisar!
Após começar a pedalar com alguma frequência vai-se espantar com a facilidade com que faz distâncias antes consideradas impensáveis. Da minha experiência uma bicicleta é normalmente 5 vezes mais eficaz do que andar a pé. Isto significa que para o mesmo esforço consigo fazer uma distância 5 vezes maior ou para a mesma distância demoro 5 vezes menos tempo. A distância percorrida num quarto de hora a pé passa a 3 minutos numa ginga e os mesmos 15 minutos mas a pedalar em vez de 1 faz 5 kilómetros. Impressionante não?
O limite de suor depende de cada um. Numa pedalada descontraída é comum nem sequer suarmos. Caso contrário é sempre possível considerar levar ou ter uma muda de roupa no trabalho. Há quem tenha a possibilidade de tomar banho no local de trabalho ou até perto, num ginásio, casa de amigos ou familiares, etc. Se vir a pedalada como uma sessão diária de exercício físico, a necessidade de utilização do balneário é comum à de um ginásio.
A estas pode-se acrescentar uma panóplia de stresses, dificuldades ou dúvidas. E quando começar a querer transportar as crianças para a escola, a pô-las a pedalar para a escola, etc. ainda mais.
Inscreva-se no fórum da ciclo-via.org e coloque a sua questão e veja ou acrescente o seu aos exemplos que lá temos. Nunca demora muito tempo até que alguém o tente ajudar.